Entre o que sinto e o que escrevo

Agora entendi que não queria escrever na newsletter da minha amiga, não dentro de um tema específico e não com aquele propósito. Ainda não fazia sentido, e sem isso nada flui—vira tarefa, vira obrigação e, no meu caso, vira procrastinação, que gera muita cobrança. Há tempos, eu não percebia que a vontade era escrever sobre o que sinto, assim como ela. Mas não no canal dela, não com ela.
Nunca entendi porque consumo e propago tanto o conteúdo de uma determinada escritora, mesmo tendo críticas sobre coisas nela que me incomodam. Nunca soube explicar muito bem como se pode gostar e se incomodar tanto com algo vindo de um único lugar. O incômodo vinha de não estar fazendo aqui o mesmo—porque ela não diz tudo o que eu preciso dizer, mas diz como eu quero dizer—e eu não estava atenta a mais esse sinal.

Em meio ao caos, esse refúgio de colocar para fora me gerou prazer e vontade de ficar só nisso. Mesmo com tantas tarefas, vinham tantas ideias. Na real, tenho tanto pra dizer, muito pra externalizar.
Percebi que há um ano este blog está parado porque eu queria definir uma filosofia para ele, lembrar de resenhar ou refletir sobre um filme assim que terminasse de assistir ou rever (um luxo que sei que não tenho, ou seja, pura ilusão de ideia), apenas para garantir que poderia escrever melhor sobre aquilo. E por isso nunca sai, por isso nunca vai.

Esses dias, começo de outono, me peguei muito nostálgica, revisitando vários momentos passados, até mesmo a adolescência. Senti vontade de ouvir músicas que não escutava mais, vontade de rever novelas já assistidas e por aí vai.
Achei que toda essa saudade que reverberava em mim era de tantas outras coisas. A nostalgia marcava presença forte por aqui e eu tentava racionalizar sem amarrar, fazendo até interpretações sobre o desejo de reviver esses pequenos momentos. Mas, em todos aqueles contextos, havia em mim naturalidade, pouca racionalização para me expressar. Se eu olhasse direitinho para o que esses sentimentos estavam querendo me dizer, perceberia algo em comum em todas essas lembranças: a minha própria figura, não as pessoas e ambientes nos quais foquei.
Mas, ao lembrar dessas minhas versões mais soltas, lembro também que, nelas, decepcionei opiniões alheias e fui me fechando, até que passei a medir tudo que há em mim, esperando certezas, assim como a licença que as referências nos dão para sustentar qualquer ideia escrita, apenas porque é arriscado demais dizer o que se tem para dizer. Afinal, alguns podem não gostar, alguns podem partir. O que me leva às feridas existenciais: medo do abandono e da solidão, que insisto em oscilar entre encará-los como um pesar, vez ou outra.

Quantos reflexos do que quero e, aqui, percebo que eu só preciso ser eu e quero muito fazer isso escrevendo.





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