Banho terapêutico ou cuidado sistematizado?


Esses dias vi uma crítica muito consistente a respeito dessa prática que viralizou nas redes, como se houvesse um roteiro predefinido, pela indústria, é claro (ingênuo quem não percebeu de onde vem a trend desse tema), aprisionando as mulheres, alvo principal, nesse modelo. Tem produto para tudo, é uma nova tarefa, que custa caríssimo e que promete te deixar linda e renovada. Será? Talvez. Mas qual o custo disso? Mais uma tarefa sistematizada de uma prática natural do ser humano, que é se banhar?

Me espantei com a realidade da coisa, porque quando isso chegou para mim, eu até já tinha um modelo semelhante, que chamava de "banho terapêutico", fazendo jus à minha classe Psi. Mas na real, para mim estava ligado ao que eu sentia que poderia me relaxar, ou seja, o dia desse ritual me faria colocar uma playlist que só tem músicas que gosto de cantar, deixar um eucalipto no banho para liberar suas propriedades através do vapor (além do cheiro delicioso), acender um incenso, deixar luzes baixas ou até sem elas. A proposta aqui é atiçar os sentidos mesmo e buscar sentido. No fim, saía renovada não pelos produtos, mas pelo simples ato de estar comigo mesma, sem performance.A verdadeira revolução? Desconfiar dos roteiros. Seja no banho, na vida ou no amor, o que nos liberta não é o que compramos, mas o que escolhemos sentir. O resto é marketing.



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