O que há de valioso em mim

Em uma de minhas crises existenciais, mergulhei em um questionamento profundo sobre meu conhecimento a respeito do meu próprio valor.

Quanto à dúvida sobre se há valor carregado ou não, esse já é um tema superado em terapia e reforçado por diversas reflexões que me levaram a uma conclusão: valor é subjetivo e cada um carrega o seu.

A verdadeira questão, no entanto, se entrelaça ao autoconhecimento e em minha coragem, fatores necessários para fortalecer e encarar nossa própria verdade. Aquela que, mesmo sendo boa, gera desconforto, pois nos coloca diante de inseguranças, dúvidas e da dificuldade de sustentá-la.
Por que é tão difícil acessar e sustentar o que temos de melhor?

Quando não nos conhecemos profundamente, abrimos espaço para as vozes alheias, assumimos estigmas que não nos pertencem porque algum contorno a gente precisa ter pra aliviar a angústia do que é ser, mesmo que seja como vestir uma roupa apertada e emprestada, porque não considero possível me apresentar nua. Embora as relações sirvam como espelhos, afinal, nos reconhecemos no outro, de diversas formas, somos, de fato, um compilado de fragmentos de todos que nos atravessam o caminho e a alma (mas deveria ser na busca do que faz sentido do outro em mim). Por isso, é preciso estar atento e seguro sobre o que é nosso: aquilo que sempre fomos (nossa essência, que gera nossos valores reconhecidos), o que está em constante transformação e o que almejamos ser com nossos desejos e projeções.

Reconhecer tudo isso não é fácil. Descobrir é difícil. Aceitar é difícil. Comunicar ao outro parece quase um ato de heroísmo. 

Se Sartre estava certo ao dizer que "o inferno são os outros", talvez seja porque, em nossa busca por validação externa, esquecemos que o céu pode ser o reconhecimento de nós mesmos.

E então, fica a provocação: Se o valor é subjetivo, por que insistimos em medi-lo pelas réguas alheias? Quem me garante o processo e o cuidado que aquela pessoa teve para construir sua própria régua?
Isso me lembra como eu detestava colar, quando estava na escola, porque mesmo a pessoa que tirava notas boas, poderia estar em um dia ruim para fazer aquela prova, então, quem me garantiria que sua interpretação da questão foi correta? Quem me garantiria que a pessoa sabia aquela matéria? Quem me garantiria que aquela resposta não foi só um chute? E nessas dúvidas, eu acabava preferindo chutar por minha conta e quase sempre me dava mal, mas eu apostava em mim, na minha interpretação e no meu senso de uni duni tê.


Sendo assim, o que aconteceria se, em vez de buscar pertencer, simplesmente ousássemos ser? Mesmo se inteiros, contraditórios e em constante metamorfose?

No fim, autovalor não é sobre se encaixar, mas sobre se expandir. E você, já parou para listar o que há de valioso em si mesmo?


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