Por um tempo, a paixão me pareceu uma força avassaladora, algo que exigia intensidade desmedida, que me levava ao céu e ao inferno na mesma velocidade. Como se amar fosse, inevitavelmente, um mergulho cego, sem margens, sem equilíbrio, sem espaço para respirar e que me levaria ao fracasso em algum momento. E nessa crença enrijecida após algumas frustrações amorosas, carreguei meus novos medos comigo. Porque me jogar, antes, era como vestir a pele da urgência, da cobrança, do medo de perder. Assim como, também, da dificuldade de me expressar sem arremessar palavras como lanças, da necessidade de ser compreendida sem que eu mesma soubesse o que queria comunicar.
Eu mudei. E mudar foi um processo doloroso, porque precisei desmontar as armadilhas que eu mesma construí. Descobri que paixão não precisa ser um incêndio incontrolável — pode ser um fogo que aquece, que ilumina, que se mantém aceso sem queimar tudo ao redor, que ilumina, que ajuda na direção da nossa própria caminhada.
Aprendi a me comunicar sem esconder, o que é desconfortável, no silêncio ou me defender com espinhos. A dizer o que quero sem medo de parecer frágil, de isso me custar o abandono e a ouvir sem que isso signifique me anular. Aprendi que limite não é um muro, mas um contorno que desenha um espaço seguro para mim e para quem escolho amar.
O amor não é um navio à deriva nem um farol solitário. Ele pode ser a maré que beija a mesma praia em dois ritmos, sem apagar as pegadas na areia. O autocuidado não é recuo para o alto-mar: é o sal que seca no corpo depois do mergulho, lembrando que mesmo juntas, somos terrenos diferentes banhados pelo mesmo oceano. Onde o autocuidado não é egoísmo, mas um compromisso com o cuidado mútuo.
A cura, descobri, não precisa acontecer apenas individualmente. Ela também pode refletir no olhar do outro, na paciência, no toque que acolhe, na escuta que não julga e até mesmo diante do processo que acontece do lado de lá. Descobri que o amor pode ser morada em vez de armadilha e isso é desmontar os mitos romantizados do que pode ser afeto (O amor não suporta tudo, contradizendo um salmo). Nesse espaço sem minas terrestres emocionais, vive-se o paradoxo kierkegaardiano: a ansiedade da liberdade transforma-se no alívio de finalmente poder-ser - juntas, mas não fundidos; próximos, mas não aprisionados. O que chamamos de 'tranquilidade' é, na verdade, a coragem radical de aceitar que o amor não precisa justificar sua existência através do caos.
Kierkegaard acreditava que as melhores coisas da vida vêm com um 'nó na garganta'. Por fim, as contradições da vida fazem parte do ser-no-mundo, está intrínseco à experiência do existir, que multiplica o sentir com grandes contrastes. Ele nos lembra que a vida humana é feita de paradoxos que não podem ser resolvidos – só vividos. No amor, isso significa aceitar que medo e paz, liberdade e compromisso, são dois lados da mesma moeda.
Reestruturar-se nunca é fácil, mas sempre revelador. Como o mar, a vida ensina: há mais beleza em flutuar, navegar ou simplesmente contemplar as ondas do que em lutar contra a correnteza. A entrega ao fluxo (quando finalmente aprendida) traz uma paz que a resistência nunca conhecerá.
Eu mudei. E mudar foi um processo doloroso, porque precisei desmontar as armadilhas que eu mesma construí. Descobri que paixão não precisa ser um incêndio incontrolável — pode ser um fogo que aquece, que ilumina, que se mantém aceso sem queimar tudo ao redor, que ilumina, que ajuda na direção da nossa própria caminhada.
Aprendi a me comunicar sem esconder, o que é desconfortável, no silêncio ou me defender com espinhos. A dizer o que quero sem medo de parecer frágil, de isso me custar o abandono e a ouvir sem que isso signifique me anular. Aprendi que limite não é um muro, mas um contorno que desenha um espaço seguro para mim e para quem escolho amar.
O amor não é um navio à deriva nem um farol solitário. Ele pode ser a maré que beija a mesma praia em dois ritmos, sem apagar as pegadas na areia. O autocuidado não é recuo para o alto-mar: é o sal que seca no corpo depois do mergulho, lembrando que mesmo juntas, somos terrenos diferentes banhados pelo mesmo oceano. Onde o autocuidado não é egoísmo, mas um compromisso com o cuidado mútuo.
A cura, descobri, não precisa acontecer apenas individualmente. Ela também pode refletir no olhar do outro, na paciência, no toque que acolhe, na escuta que não julga e até mesmo diante do processo que acontece do lado de lá. Descobri que o amor pode ser morada em vez de armadilha e isso é desmontar os mitos romantizados do que pode ser afeto (O amor não suporta tudo, contradizendo um salmo). Nesse espaço sem minas terrestres emocionais, vive-se o paradoxo kierkegaardiano: a ansiedade da liberdade transforma-se no alívio de finalmente poder-ser - juntas, mas não fundidos; próximos, mas não aprisionados. O que chamamos de 'tranquilidade' é, na verdade, a coragem radical de aceitar que o amor não precisa justificar sua existência através do caos.
Kierkegaard acreditava que as melhores coisas da vida vêm com um 'nó na garganta'. Por fim, as contradições da vida fazem parte do ser-no-mundo, está intrínseco à experiência do existir, que multiplica o sentir com grandes contrastes. Ele nos lembra que a vida humana é feita de paradoxos que não podem ser resolvidos – só vividos. No amor, isso significa aceitar que medo e paz, liberdade e compromisso, são dois lados da mesma moeda.
Reestruturar-se nunca é fácil, mas sempre revelador. Como o mar, a vida ensina: há mais beleza em flutuar, navegar ou simplesmente contemplar as ondas do que em lutar contra a correnteza. A entrega ao fluxo (quando finalmente aprendida) traz uma paz que a resistência nunca conhecerá.

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