Quando percebemos que um processo verdadeiramente se encerra?


Começo tentando responder esse título que questiona: Quando percebemos que um processo verdadeiramente se encerra? Talvez quando o tema, antes pulsante, perde até mesmo o poder de nos comover a ponto de exemplificá-lo ou compartilhá-lo.

Ele já foi tão dissecado, revirado e nomeado que se tornou um objeto estático. Já tem forma definida, cor conhecida, todos seus contornos mapeados. As pessoas já escutaram, algumas deram suas interpretações, ou seguiram em silêncio, e isso pouco importa agora. Já foi recebido algum tipo de acolhimento, já foram ouvidas opiniões distintas e a ausência delas também. Já foram feitas canalizações, até já teve dia em que a coisa em si foi transferida para quem nem a causou, provavelmente. é possível tudo isso quando se encara o processo e o vivencia. Um tanto pode acontecer quando se deixa escapar, quando não se reprime.

O sinal mais claro não está no esquecimento, mas na indiferença ativa, porque você não evita o assunto, simplesmente não o busca. Quando surge em conversas, as palavras escorrem sem ecoar. Se a memória o traz à tona, não há urgência em revivê-lo. Explicá-lo? Seria como descrever o sabor da água para quem nunca teve sede.

Há um paradoxo nesse esvaziamento: o que um dia foi tão vital que exigia ser nomeado e disputado, agora se dissolve no banal. É o luto pelo significado, não pela coisa em si. Como observaria Sartre, qualquer um está condenado a dar sentido ao que escolhe carregar e livre para abandonar o que não mais o define. O irrelevante, no fim, é apenas o que deixamos de investir com nossa própria existência. Aposto que Freud diria que, nesse caso, é o deslocamento do direcionamento da libido. Falou-se tanto, assumiu-se tanto à dor, que na forma, ela perdeu as forças e deixou de ser sintoma e produtora de angústia.



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