Esse é um tema muito pertinente, e é bem possível que, vez ou outra, você se pegue revisitando essa questão, com alguma ressalva, seja positiva ou não. Tenho a impressão, no entanto, de que, no modelo de sociedade em que vivemos, esse tipo de comentário surge mais como um incômodo: o que fazer com algo tão subjetivo, mas tão capitalizado?
Nosso tempo foi transformado em lógica de mercado ("tempo é dinheiro", como costumam dizer por aí). Vamos nos moldando a isso, aceitando réguas que medem nosso fazer, nosso modo de existir. E essa lógica se expande ainda mais quando nos dizem o que devemos fazer com o nosso tempo.
E penso mais. Pois, nessa conversa, estendemos o tema para a medição do que se fazer com ele, sobretudo.
Tem o ideal de tempo para se começar uma relação, para considerá-la estável, para se casar, para ter filhos, para superar um término, para trocar de trabalho, para escolher uma carreira, para se tornar financeiramente independente, para comprar uma casa, para ser um profissional estabilizado, para fazer uma pós-graduação, para cuidar da saúde mental, para viajar, para se aposentar, para ter conquistado X coisa.
Nossa! Estamos vivendo em favor do tempo ou à mercê dele? Estamos sendo conduzidos ou condenados?
Quem dita o tempo ideal, se cada um é um?
Se uns gostam de acordar cedo, outros preferem trabalhar pelo silêncio da alta madrugada, quem ditará o horário ideal? Será a autonomia versus possibilidade (ou tudo isso somado às expectativas sociais)?
Bom, o que quero dizer com isso é que não temos tanta autonomia assim (não todos nós, não o tempo todo)!
Dependemos de ajustes da realidade à qual estamos inseridos, mas sinto que, ainda assim, não nos sobra espaço para saber o que realmente queremos e podemos fazer com o tempo que nos sobra.
Porque, se o trabalho, quase que sempre, foge das possibilidades de escolhas e da adequação do ideal, por que os outros campos, ainda assim, também se sustentam no tempo dos outros?
Vejo que estou atiçando mais perguntas com minhas inquietações do que qualquer resposta (não as tenho, na verdade, eu as busco), assim como busco o meu próprio tempo para cada coisa, como me convém.
Mas de uma verdade eu sei: como explanado por Gil, o tempo é rei, e disso não duvido.
Mas esse reinado vai de acordo com cada povoado, não se generaliza esse saber.
Leia-se "rei" para aquilo que ressoa em ti.
Finalizo com fragmentos de uma das canções que tanto me tocam:
Nosso tempo foi transformado em lógica de mercado ("tempo é dinheiro", como costumam dizer por aí). Vamos nos moldando a isso, aceitando réguas que medem nosso fazer, nosso modo de existir. E essa lógica se expande ainda mais quando nos dizem o que devemos fazer com o nosso tempo.
E penso mais. Pois, nessa conversa, estendemos o tema para a medição do que se fazer com ele, sobretudo.
Tem o ideal de tempo para se começar uma relação, para considerá-la estável, para se casar, para ter filhos, para superar um término, para trocar de trabalho, para escolher uma carreira, para se tornar financeiramente independente, para comprar uma casa, para ser um profissional estabilizado, para fazer uma pós-graduação, para cuidar da saúde mental, para viajar, para se aposentar, para ter conquistado X coisa.
Nossa! Estamos vivendo em favor do tempo ou à mercê dele? Estamos sendo conduzidos ou condenados?
Quem dita o tempo ideal, se cada um é um?
Se uns gostam de acordar cedo, outros preferem trabalhar pelo silêncio da alta madrugada, quem ditará o horário ideal? Será a autonomia versus possibilidade (ou tudo isso somado às expectativas sociais)?
Bom, o que quero dizer com isso é que não temos tanta autonomia assim (não todos nós, não o tempo todo)!
Dependemos de ajustes da realidade à qual estamos inseridos, mas sinto que, ainda assim, não nos sobra espaço para saber o que realmente queremos e podemos fazer com o tempo que nos sobra.
Porque, se o trabalho, quase que sempre, foge das possibilidades de escolhas e da adequação do ideal, por que os outros campos, ainda assim, também se sustentam no tempo dos outros?
Vejo que estou atiçando mais perguntas com minhas inquietações do que qualquer resposta (não as tenho, na verdade, eu as busco), assim como busco o meu próprio tempo para cada coisa, como me convém.
Mas de uma verdade eu sei: como explanado por Gil, o tempo é rei, e disso não duvido.
Mas esse reinado vai de acordo com cada povoado, não se generaliza esse saber.
Leia-se "rei" para aquilo que ressoa em ti.
Finalizo com fragmentos de uma das canções que tanto me tocam:
"Compositor de destinosTambor de todos os ritmosEntro num acordo contigo
Por seres tão inventivoE pareceres contínuoÉs um dos deuses mais lindos
Peço-te o prazer legítimoE o movimento precisoQuando o tempo for propício
De modo que o meu espíritoGanhe um brilho definidoE eu espalhe benefícios
O que usaremos pra issoFica guardado em sigiloApenas contigo e 'migo
E quando eu tiver saídoPara fora do teu círculoTempo, tempo, tempo, tempoNão serei, nem terás sidoTempo, tempo, tempo, tempo
Ainda assim, acreditoSer possível reunirmo-nosNum outro nível de vínculoTempo, tempo, tempo, tempo
Portanto, peço-te aquiloE te ofereço elogiosNas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo..."
(Oração ao tempo - Caetano Veloso)
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