Reconhecimento de ciclos

Quando não reconheço minhas feridas existenciais, elas operam por mim. Entro em piloto automático, causo confusão interna, e possivelmente externa também, o que me leva a sabotagens e até a ciclos repetitivos.

Mas, quando as reconheço, eu não opero mais por elas, porque opero apesar delas. Tendo consciência e domínio de escolha, passo a reconhecer como essas feridas me formaram e as necessidades que me causaram até aqui.

Mas reconhecer tudo isso não significa, necessariamente, mudar. Significa entender se o que está posto como possibilidade no meu caminho é algo que eu quero (algo que avalio revisitando meus sentimentos e ideais), ou se é algo em que estou apenas sendo levada, por "conforto", "costume" ou uma falsa sensação de preenchimento.

Convido minha autoridade interna para sentir o que quero fazer, usando meus sentimentos como bússola, focando no que sinto que desejo para o dia de hoje (e onde quero chegar com isso, coisa que, aliás, nem sempre terá uma resposta).

Reconheço, também, que a vida tem muitas camadas, muitas complexidades. Podemos estar felizes e tristes. Podemos viver situações que sejam, ao mesmo tempo, favoráveis e problemáticas. Você pode ser o mocinho, e também o vilão. Você pode desejar, mas não querer, ou vice-versa.

Os processos, quando legítimos, podem ser complexos e muito sofisticados. Quando se entende a ambivalência da vida, a gente começa a fazer as pazes com o que flui em nós: o yin e o yang, a alegria e a tristeza, a solidão e a completude, os erros e os acertos, o ontem e o hoje.

"A cura do sofrimento está no sofrimento."
Carl Jung





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