Há momentos em que insistimos em compreender mais uma camada, abrir mais uma porta, dissecar mais um ponto obscuro do inconsciente, como se a paz estivesse logo após a próxima descoberta. Como se a cura fosse uma equação a ser decifrada.
Mas há algo sutil nesse movimento: nem sempre é busca por cuidado, às vezes é manutenção da dor.
Há quem se apegue às próprias feridas como quem sustenta uma história conhecida, ainda que já pesada. Não porque gosta da dor, mas porque ela passou a fazer parte da identidade, ganhou um valor, mesmo que torto, dentro da narrativa de si.
Talvez por isso tentamos prever, planejar ou entender, na tentativa de controlar. E, como diz o verso de uma canção: "Tentar prever serviu pra eu me enganar."
Nem toda repetição é insistência saudável. Às vezes é uma forma de evitar o verdadeiro passo adiante: abrir mão de velhas narrativas, por mais estruturantes que tenham sido.
Desapegar-se da história que nos moldou é, por vezes, mais difícil do que elaborá-la. Mas é nesse gesto de deixar ir que se cria espaço para a próxima página, o próximo capítulo, a próxima versão de si.
A validação da dor é essencial. O acolhimento, necessário. A busca de sentido, transformadora, como propõe Nietzsche com o amor fati: amar o próprio destino, dar significado às experiências, até às mais difíceis, para que elas deixem de nos aprisionar.
Nem sempre o que parece processo é cura. Às vezes, é só apego disfarçado de elaboração. E reconhecer isso já é um destrave.
Mas há algo sutil nesse movimento: nem sempre é busca por cuidado, às vezes é manutenção da dor.
Há quem se apegue às próprias feridas como quem sustenta uma história conhecida, ainda que já pesada. Não porque gosta da dor, mas porque ela passou a fazer parte da identidade, ganhou um valor, mesmo que torto, dentro da narrativa de si.
Talvez por isso tentamos prever, planejar ou entender, na tentativa de controlar. E, como diz o verso de uma canção: "Tentar prever serviu pra eu me enganar."
Nem toda repetição é insistência saudável. Às vezes é uma forma de evitar o verdadeiro passo adiante: abrir mão de velhas narrativas, por mais estruturantes que tenham sido.
Desapegar-se da história que nos moldou é, por vezes, mais difícil do que elaborá-la. Mas é nesse gesto de deixar ir que se cria espaço para a próxima página, o próximo capítulo, a próxima versão de si.
A validação da dor é essencial. O acolhimento, necessário. A busca de sentido, transformadora, como propõe Nietzsche com o amor fati: amar o próprio destino, dar significado às experiências, até às mais difíceis, para que elas deixem de nos aprisionar.
Nem sempre o que parece processo é cura. Às vezes, é só apego disfarçado de elaboração. E reconhecer isso já é um destrave.

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