Entender o mundo pelas palavras é bom, mas também é um limite. Se eu só me conecto com o que é dito, acabo tentando compreender tudo pelas palavras e fico dependente delas. É por isso que às vezes espero do outro uma palavra de afirmação, como se o silêncio ou a presença não fossem o bastante para me fazer saber. Mas o gesto diz, o corpo diz, a presença diz, o comportamento diz, tudo diz. Há linguagem em tudo que vive.
Quando eu sei pelo sentir, não preciso ouvir para saber. Claro que em certos momentos a fala é necessária, ela organiza, estrutura, afirma o vivido, dá contorno ao que ainda era fluxo. A fala é como o sol que confirma sua própria luz, mesmo quando está encoberto e ainda assim aquece.
Percebo que o que eu esperava talvez não fosse a palavra em si, mas o sentimento que vem antes dela. O amor, a preocupação, o pertencimento, o reconhecimento, o acolhimento, a admiração, a generosidade, a entrega, a ajuda. É disso que a gente precisa, do que é sentido e vivido, independente da via por onde se manifesta.
Por muito tempo eu confiei apenas na palavra. Fui treinada a acreditar que o que se diz é o que é, e que o silêncio era vazio. Na verdade, o silêncio me assustava, porque ele me devolvia ao corpo, e o corpo sabia de coisas que eu não podia suportar sentir. Então eu me tornei racional, quase toda pensamento, quase nada de corpo. Me afastei da intuição e da percepção que nascem da experiência encarnada. Por isso eu achava que precisava tanto da palavra do outro, como se ela me desse existência, e oferecia a mesma palavra de volta, como se o amor precisasse ser dito para ser real.
Aos poucos fui percebendo que as palavras também são manipuláveis, moldáveis ao desejo de quem quer ser compreendido ou esconder o que sente. E que muitas vezes eu perdia o essencial, porque esperava que a palavra confirmasse o que já estava sendo comunicado de outras formas.
O distanciamento do meu corpo e das percepções que ainda não estavam ali compreendidas veio como defesa diante de situações difíceis, de exposições precoces, de traumas e sofrimentos vividos contra a minha vontade. Isso me fez perder contato com a dor, porque eu precisava me distrair e criar narrativas encantadoras sobre a vida, para não enfrentar o que estava sendo apresentado. Ao mesmo tempo, esse afastamento me desconectou de outras coisas que o corpo também pode captar, coisas boas que pairam no ar, oportunidades de sentir e perceber além da dor. Perdi poder sobre a percepção, sobre a intuição, e me liguei excessivamente ao campo mental. Isso me sobrecarregou e me fez vulnerável às palavras, tanto às manipuladas pelo outro quanto às que eu mesma criava para sustentar narrativas que não refletiam o que eu realmente sentia. O corpo é a confirmação, ele chega primeiro, ele é quem valida o que sentimos, e perder essa conexão é perder a própria base do saber encarnado.
Merleau-Ponty falava que o corpo é a nossa primeira forma de expressão, é o lugar onde o mundo se faz linguagem antes de qualquer palavra. Rogers também via a escuta autêntica como uma experiência que acontece no campo inteiro da presença, e não apenas na troca verbal. Quando eu confio novamente nesse campo, começo a integrar corpo e mente, pensamento e sensação, palavra e silêncio. É como se a existência voltasse a ser uma só coisa.
Hoje entendo que amadurecer emocionalmente é aprender a reconhecer o que é dito sem palavras e permitir que o sentir seja suficiente, sem precisar da razão para validar o que já é verdade no corpo.
Por muito tempo eu confiei apenas na palavra. Fui treinada a acreditar que o que se diz é o que é, e que o silêncio era vazio. Na verdade, o silêncio me assustava, porque ele me devolvia ao corpo, e o corpo sabia de coisas que eu não podia suportar sentir. Então eu me tornei racional, quase toda pensamento, quase nada de corpo. Me afastei da intuição e da percepção que nascem da experiência encarnada. Por isso eu achava que precisava tanto da palavra do outro, como se ela me desse existência, e oferecia a mesma palavra de volta, como se o amor precisasse ser dito para ser real.
Aos poucos fui percebendo que as palavras também são manipuláveis, moldáveis ao desejo de quem quer ser compreendido ou esconder o que sente. E que muitas vezes eu perdia o essencial, porque esperava que a palavra confirmasse o que já estava sendo comunicado de outras formas.
O distanciamento do meu corpo e das percepções que ainda não estavam ali compreendidas veio como defesa diante de situações difíceis, de exposições precoces, de traumas e sofrimentos vividos contra a minha vontade. Isso me fez perder contato com a dor, porque eu precisava me distrair e criar narrativas encantadoras sobre a vida, para não enfrentar o que estava sendo apresentado. Ao mesmo tempo, esse afastamento me desconectou de outras coisas que o corpo também pode captar, coisas boas que pairam no ar, oportunidades de sentir e perceber além da dor. Perdi poder sobre a percepção, sobre a intuição, e me liguei excessivamente ao campo mental. Isso me sobrecarregou e me fez vulnerável às palavras, tanto às manipuladas pelo outro quanto às que eu mesma criava para sustentar narrativas que não refletiam o que eu realmente sentia. O corpo é a confirmação, ele chega primeiro, ele é quem valida o que sentimos, e perder essa conexão é perder a própria base do saber encarnado.
Merleau-Ponty falava que o corpo é a nossa primeira forma de expressão, é o lugar onde o mundo se faz linguagem antes de qualquer palavra. Rogers também via a escuta autêntica como uma experiência que acontece no campo inteiro da presença, e não apenas na troca verbal. Quando eu confio novamente nesse campo, começo a integrar corpo e mente, pensamento e sensação, palavra e silêncio. É como se a existência voltasse a ser uma só coisa.
Hoje entendo que amadurecer emocionalmente é aprender a reconhecer o que é dito sem palavras e permitir que o sentir seja suficiente, sem precisar da razão para validar o que já é verdade no corpo.

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