O que acontece entre nós durante uma sessão?

A gente se forma muito a partir das conexões que fazemos, de como o outro nos toca e de como nós tocamos o outro. Esse entre nos molda. É o campo que se cria quando dois mundos encostam. Na relação terapêutica, esse entre é o próprio fluxo do processo. Não é só o que o paciente diz, nem apenas o que o terapeuta escuta, mas aquilo que circula, que se movimenta, que se transforma no encontro. Quando há fluxo, algo vive. Quando há rigidez, algo estagna.

Esse campo é feito de presença, de afetação mútua, de silêncios, de gestos, de palavras e também do que não é dito. É nele que o paciente pode se experimentar de outro modo, sentir-se visto, testado, atravessado, reconstruído. Winnicott chama isso de espaço potencial, o lugar onde algo novo pode surgir. Merleau-Ponty fala desse entre como o lugar da experiência viva, onde eu e outro não estão separados, mas em relação. A própria neurociência mostra que nos regulamos no encontro, que nossos corpos e emoções entram em sintonia. O fluxo, então, não é detalhe do processo terapêutico. Ele é o próprio caminho por onde a mudança acontece.

Como diz Ana Feijóo, “é no encontro que o sujeito se revela a si mesmo, porque ninguém se constitui sozinho, mas sempre em relação”.

Para saber mais o que a professora e pesquisadora da UERJ, que possui doutorado em Psicologia Clínica pela UFRJ e especialidade na perspectiva fenomenológico-existencial, sendo a figura central dessa abordagem no país, fala sobre esse tema assista aqui:


Comentários